XVIII JORNADAS DE SENOLOGIA

ARTIGO DO DR JOÃO MACÁRIO CONDE PUBLICADO NO “JORNAL CONGRESSO”, NEWS FARMA (pag.12):

Radioterapia adjuvante em função da abordagem cirúrgica

O número de doentes que fazem tratamento neoadjuvante tem aumentado de ano para ano, sendo as principais indicações o carcinoma inflamatório, o carcinoma localmente avançado e como downstaging/downsizing no carcinoma precoce da mama. Nas guidelines atuais não existe consenso se o tratamento de radioterapia deve ser baseado no estadio inicial, independentemente da resposta à terapêutica ou, se por ouro lado, deve ser baseado no estadio pós tratamento primário.

Numa altura em que a biópsia do gânglio sentinela nos doentes com cN1 surge como um “emerging standard of care”, será muito importante o resultado dos ensaios clínicos B-51/RTOG 1304 e Alliance A011202, para definir qual a melhor estratégia para tratar os doentes submetidos a quimioterapia neoadjuvante, especialmente os cT1-3N1M0.

O ensaio clínico B-51/RTOG 1304 é um estudo randomizado fase III, que pretende avaliar a indicação de radioterapia pós mastectomia total (PMRT) e irradiação das áreas de drenagem ganglionar em doentes submetidos a mastectomia parcial, estadio cT1-3N1M0, com resposta completa a nível ganglionar, documentada por biópsia de gânglio sentinela ou por esvaziamento axilar. Quanto ao Alliance A011202, é um estudo randomizado fase III, que pretende avaliar o papel do esvaziamento axilar em doentes cT1-3N1M0, com biópsia do gânglio positiva após o tratamento neoadjuvante.

Como o B-51/RTOG 1304 e o Alliance A011202 ainda estão em fase de recrutamento (com resultados para 2028 no caso de B-51 e sem data prevista para o Alliance), deveremos basear a nossa decisão nos estudos de adjuvância (NSABP-06; NSABP B-21; MA.20 Trial; ACOSOG Z-0011; EBCTCG metanálise – Trialist Group; EORTC 10981- 22023 Amaros trial); na análise dos subgrupos do NSABP B-18 e NSABP B27; nas características do doente; na carga tumoral residual e nas características biológicas do tumor. É necessário uma decisão individualizada e o doente deverá ser incluído neste processo.

É fundamental um equilíbrio do descalar da cirurgia e do descalar da radioterapia, de forma a conseguirmos diminuir a morbilidade dos nossos doentes em segurança, sem comprometer o controlo locorregional.

Por último, gostaria de fazer a referência à publicação das guidelines para delineação de volumes PMRT pós reconstrução imediata “ESTRO ACROP consensus guideline for target volume delineation in the setting of postmastectomy radiation therapy after implant-based immediate reconstruction for early stage breast cancer”, que serão seguramente um grande desafio para os departamentos de radioncologia.

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