Artigo publicado | Cancro da próstata e inovação em radioterapia

Artigo da médica Graça Fonseca, Radioncologista na Júlio Teixeira, SA. – Instituto CUF Porto, publicado no Sapo Lifestyle:


Cancro da próstata e inovação em radioterapia: o que sabemos até agora?

A propósito do mês da saúde do homem – conhecido como movember – falemos sobre o cancro da próstata e as opções de tratamento de radioterapia que nos permitem perspetivar um futuro com mais esperança. Um artigo da médica radioncologista Graça Fonseca.

O cancro da próstata é a doença oncológica com maior incidência entre os homens do sul da Europa, sendo o terceiro mais letal, apenas atrás do pulmão e colorretal. O seu diagnóstico aumentou  progressivamente a partir da década de 80, com a disponibilização de métodos para dosear o PSA  (antigénio específico da próstata).

Uma subida do valor do PSA, associada ou não a sintomatologia urinária, é o factor desencadeador do estudo desta doença, com a realização de biópsia prostática e/ou de outros exames de estadiamento. Cada caso deve ser discutido e avaliado em reunião multidisciplinar e o doente informado das opções  terapêuticas válidas e mais adequadas à sua situação, bem como da eficácia e dos efeitos adversos  associados a cada uma, de forma a poder ter um papel ativo na decisão final.

A Radioterapia no tratamento do cancro da próstata

O papel da Radioterapia no tratamento do cancro da próstata está bem estabelecido e fundamentado  nas recomendações das diversas sociedades científicas. A sua extensa utilização e taxa de sucesso, com  um número crescente de doentes a optarem por esta abordagem, advém de uma terapêutica preservadora de órgão, com resultados semelhantes aos da cirurgia. Esta modalidade terapêutica associa-se a uma baixa toxicidade, a qual está dependente de diversos fatores como dose total,  fracionamento, sensibilidade dos órgãos adjacentes e a técnica utilizada.

Existem diversas técnicas disponíveis no nosso país, as quais têm evoluído significativamente, permitindo a administração segura de doses mais elevadas, com redução da toxicidade intestinal e urinária. Esta evolução tecnológica culminou no aparecimento do primeiro sistema robótico dedicado de tratamento em Radioterapia Estereotáxica/Radiocirurgia – Cyberknife®. Atualmente, a única solução dedicada deste género em Portugal encontra-se na JúlioTeixeira SA, em funcionamento no Instituto CUF Porto. Consiste num acelerador linear montado num braço robótico, com múltiplos graus de liberdade  em que os feixes de radiação são administrados sequencialmente à medida que o braço robótico se movimenta em torno do doente, permitindo flexibilidade e otimização do tratamento.

Quais as vantagens do tratamento com Cyberknife®?

O tratamento de Radioterapia com Cyberknife® é designado por SBRT (Radioterapia Estereotáxica Extra Craniana) e consiste na administração de doses elevadas de radiação num número reduzido de frações com o objetivo de ablação do tecido tumoral e o mínimo de dose aos tecidos normais adjacentes, sendo  uma alternativa à Radioterapia externa convencional e à Cirurgia. Este tratamento é indicado nos tumores com doença localizada à próstata. A sua precisão submilimétrica associada ao sistema robótico, permite corrigir a posição dos feixes durante o tratamento, fazendo-os incidir mais corretamente no volume a irradiar, obtendo gradientes de dose elevada conformada ao volume  tumoral. É um tratamento não invasivo, sem necessidade de internamento. Para além de constituir  uma alternativa válida na abordagem das neoplasias localizadas da próstata, é também uma opção  válida em casos de recidiva (quando o tumor volta a aparecer)  loco-regional da doença previamente tratada com cirurgia e/ou  Radioterapia.

Acresce a este contexto as situações de doença avançada fora da próstata que pelo seu volume e  localização necessitam de uma abordagem otimizada de Radioterapia Estereotáxica. Destaca-se neste  contexto a Cyberknife® que por motivo das suas características técnicas singulares se posiciona como  uma das terapêuticas mais adequadas e com menor toxicidade associada a maior eficácia no controlo local. Os ganhos assim obtidos traduzem-se no aumento da sobrevida livre de doença, permitindo individualizar as opções de tratamento e abrir novas soluções nas quais se incluem a possibilidade de poder tratar o doente de forma válida e segura.

Um artigo da médica Graça Fonseca, Radioncologista no Instituto CUF Porto – Júlio Teixeira, SA.

 

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